A senadora Daniella Ribeiro escolheu falar onde quase todos se calariam.
Falou sobre abusos sofridos durante seu relacionamento, no ambiente de trabalho e poder do próprio ex-marido, o Tribunal de Justiça da Paraíba.
Falou diante dos colegas dele, e ali, naquele espaço carregado de formalidade e autoridade, ela expôs uma dor íntima: a violência sofrida no seu próprio casamento.
Romper o silêncio já é difícil. Mas romper o silêncio no território de quem ela acusa, exige uma coragem que vai além do pessoal, é quase institucional.
É transformar a própria vulnerabilidade em um ato público e didático.
Daniella não falou apenas por si.
Falou por milhares de mulheres que não conseguem.
Por aquelas que ainda têm medo.
Por aquelas que, muitas vezes, não encontram acolhimento nem mesmo nas estruturas que deveriam protegê-las.
Naquele momento, a pauta deixou de ser bandeira e se tornou memória e cicatriz. Ela humanizou a luta, e ao mesmo tempo, a tornou muito mais potente.
Daniella disse sem precisar gritar: “não importa quem seja o agressor, importa que a violência exista, e ela precisa ser enfrentada”.
O gesto da senadora é corajoso, simbólico e profundamente humano.
Porém acima de tudo, necessário.


























