Integrante de facção detalha à Justiça esquema que levou ao afastamento do prefeito de Cabedelo

Em depoimento, Ariadna afirmou que as lideranças da facção indicavam nomes de pessoas que deveriam ser contratadas

Foto: Divulgação/Polícia Federal

Identificada como chefe de um núcleo de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho na Paraíba, Ariadna Thalia, presa em dezembro do ano passado, detalhou em depoimento à Justiça o funcionamento de um suposto esquema de desvio de recursos públicos envolvendo a Prefeitura de Cabedelo e uma organização criminosa.

As informações constam no documento que autorizou a operação da Polícia Federal deflagrada na última terça-feira (14), que apura o desvio de cerca de R$ 270 milhões por meio de fraudes na contratação de empresas terceirizadas e da inclusão de pessoas ligadas à facção na máquina pública municipal. Os depoimentos foram obtidos pelo g1.

De acordo com a decisão do desembargador Ricardo Vital de Almeida, do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), Ariadna — conhecida como “Arroto de Urubu” — afirmou integrar, desde a adolescência, a “Tropa do Amigão”, apontada como braço do Comando Vermelho em Cabedelo. Ela disse ter conhecimento interno do funcionamento do grupo e relatou que chegou a ser contratada pela empresa Lemon, que, segundo a investigação, seria utilizada no esquema após vencer licitações com a prefeitura.

Em depoimento, Ariadna afirmou que as lideranças da facção indicavam nomes de pessoas que deveriam ser contratadas. Segundo ela, os nomes eram repassados a um intermediário responsável por articular as nomeações junto à gestão municipal. Após a autorização, os currículos eram entregues à então secretária de Administração, Josenilda Batista, que realizaria as contratações.

Ainda segundo a decisão judicial, Josenilda, também alvo da operação, é apontada como responsável por receber as indicações da facção, operacionalizar contratações por meio da empresa Lemon e atuar diretamente em processos licitatórios, inclusive com a desclassificação de concorrentes para favorecer o grupo.

Ariadna também relatou mudanças no funcionamento do esquema ao longo do tempo. Segundo ela, após uma operação policial, os pagamentos passaram a ser feitos em dinheiro em espécie e por meio de uma “folha paralela”, operacionalizada pela própria empresa. De acordo com o depoimento, funcionários que permaneceram contratados tiveram salários aumentados para compensar a facção, enquanto os desligados recebiam valores por fora.

O documento não informa a data exata do depoimento, mas destaca que as declarações foram fundamentais para o avanço das investigações. “A relação entre os fatos e o possível envolvimento dos suspeitos ganhou contornos de clareza processual a partir de elementos indiciários consistentes, como o depoimento de Ariadna Thalia”, afirmou o desembargador.

Além do depoimento, a decisão menciona outros indícios reunidos pela investigação, como relatórios financeiros, documentos de licitações, pareceres da Controladoria Geral do Município, contratos e aditivos, além de informações de inteligência da Polícia Federal e do Ministério Público. Elementos visuais, como registros fotográficos de reuniões entre investigados, também foram citados.

O prefeito Edvaldo Neto (Avante), apontado como suposto integrante do esquema, foi afastado do cargo após a operação. A investigação segue em andamento.

Com G1 Paraíba

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