Servidoras do TJPB são condenadas por racismo religioso contra mãe de santo na Paraíba

Justiça reconheceu prática discriminatória durante atendimento em vara de família; caso ocorreu entre 2015 e 2018, em João Pessoa.

Foto: Reprodução

Duas servidoras do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) foram condenadas pelo crime de racismo religioso contra uma mulher adepta de religião de matriz africana. A sentença, proferida no dia 30 de junho e divulgada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), refere-se a fatos ocorridos entre 2015 e 2018, na 2ª Vara de Família de Mangabeira, em João Pessoa.

As condenadas são uma assistente social aposentada e uma psicóloga, que receberam pena de um ano de reclusão, em regime aberto, além do pagamento de multa e das custas processuais. Uma terceira servidora, técnica judiciária, foi absolvida por insuficiência de provas.

De acordo com a denúncia, a vítima, que é mãe de santo, sofreu constrangimentos durante o acompanhamento de um processo envolvendo a regulamentação de visitas dos filhos. Segundo o Ministério Público, ela foi alvo de comentários preconceituosos relacionados à sua religião e chegou a ser alertada de que poderia perder a guarda das crianças caso não abandonasse sua crença.

A investigação também apontou que a mulher foi impedida de acessar o setor psicossocial do fórum por estar utilizando vestimentas religiosas tradicionais, como roupas brancas e torço na cabeça. Além disso, teria ouvido de servidoras que o terreiro de candomblé não seria um ambiente adequado para a convivência dos filhos.

O caso foi comunicado ao Ministério Público pelo próprio Tribunal de Justiça da Paraíba. Paralelamente à esfera criminal, a Corregedoria do TJPB instaurou procedimento administrativo e aplicou advertência às servidoras que permaneciam em atividade. A assistente social não recebeu sanção administrativa por já estar aposentada.

Na decisão, a Justiça concluiu que houve manifestações discriminatórias motivadas pela religião da vítima, reconhecendo a prática de racismo religioso durante o exercício das funções públicas.

Artigo anteriorMP-Procon autua Cagepa por rompimento de reservatório que causou morte em Campina Grande
Próximo artigoFrank Alves realiza mutirão com consultas dermatológicas gratuitas em Campina Grande

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui