A vereadora Waléria Assunção manifestou profunda indignação com as conclusões da sindicância interna do Hospital da Criança e do Adolescente, para apurar o atendimento prestado à pequena Liana Maria Torres Balbino, de apenas um ano e seis meses, cuja morte em março deste ano, gerou grande comoção e levantou questionamentos sobre a assistência oferecida pela rede pública de saúde.
De acordo com a parlamentar, o documento divulgado não cumpre o papel de esclarecer os fatos nem de acolher a dor da família. Ao contrário, segundo ela, a sindicância apresenta conclusões que se concentram na defesa institucional do serviço e dos profissionais envolvidos, sem enfrentar de forma objetiva os questionamentos que continuam sem respostas.
Waléria chamou atenção para o fato de o próprio relatório, recomendar que as informações sobre o caso sejam repassadas à imprensa apenas por meio de notas oficiais, o que, em sua avaliação, reforça a falta de transparência em torno do episódio. “A família continua clamando por respostas. Estamos falando da morte de uma criança. O mínimo que a sociedade espera é uma apuração ampla, transparente e independente. A mãe que é técnica de enfermagem relata uma série de fatos que se sucederam que demonstram que a criança não teve a devida assistência. E o que vimos nesse relatório foi uma preocupação muito maior em proteger a instituição do que em compreender as circunstâncias do atendimento que motivaram a dor desta família”, afirmou a vereadora.
A vereadora destacou ainda que, embora reconheça a dedicação de muitos profissionais que atuam diariamente no Hospital da Criança e do Adolescente, a discussão não pode se limitar à análise individual de condutas. “Existem excelentes profissionais no hospital, mas que ficam muitas vezes de mãos atadas em função de dificuldades estruturais gritantes como a ausência de exames de tomografia, ressonância e especialista na área neurológica. Quando uma sindicância recomenda reforço de segurança e proteção institucional, mas não aponta caminhos para melhorar a estrutura e as condições de atendimento, ela demonstra falta de consciência dos próprios problemas”, ressaltou.
Waléria Assunção informou que buscou o Ministério Público da Paraíba para reforçar a necessidade de uma investigação aprofundada, capaz de analisar todas as circunstâncias que antecederam o agravamento do quadro clínico da criança.
De acordo com ela, a apuração administrativa interna não substitui o trabalho dos órgãos de controle nem o papel da Justiça na busca pela verdade dos fatos. “Não podemos aceitar que esse caso seja encerrado apenas com conclusões produzidas dentro da própria estrutura que está sendo questionada. O que a família espera é justiça. E justiça só existe quando há independência, transparência e compromisso com a verdade. Vamos acompanhar esse caso até o fim para que a morte de Liana não seja reduzida a um documento burocrático e para que nenhuma família passe novamente pela mesma dor sem obter as respostas que merece”, concluiu.





























