O nascimento da pequena Iara entrou para a história da saúde pública da Paraíba. A bebê é a primeira criança gerada por um homem trans a nascer na rede estadual de saúde.
Filha de Daniel Valentim, homem trans, e de Gisele Castro, mulher trans, Iara é fruto de uma gestação planejada e acompanhada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O casal, morador de Esperança, iniciou o pré-natal em Campina Grande, mas precisou de acompanhamento especializado após Daniel ser diagnosticado com trombose, fazendo com que a gravidez fosse classificada como de alto risco.
Além do atendimento obstétrico, Daniel também foi acompanhado pelo ambulatório para pessoas transexuais vinculado ao Hospital de Trauma de Campina Grande.
Durante a gestação, o casal relatou preocupação com o acolhimento e o receio de enfrentar situações de preconceito. A insegurança aumentou após a informação de que o parto seria realizado pelo médico plantonista, e não pela profissional que acompanhava o pré-natal.
Diante desse cenário, Daniel e Gisele optaram por transferir o acompanhamento para o Hospital da Mulher, em João Pessoa. A escolha foi motivada pelo fato de a unidade já atender pessoas trans em outros procedimentos, como cirurgias de mastectomia, além da confiança transmitida por relatos de pacientes sobre o atendimento humanizado.
O nascimento de Iara representa um marco para a rede estadual de saúde e evidencia a importância da ampliação de políticas de acolhimento e atendimento especializado para pessoas trans no Sistema Único de Saúde.






























