Memória seletiva? Prefeito João Costa rompe com o Governo, mas esquece ações realizadas em Massaranduba

A situação fica ainda mais curiosa quando se observa a trajetória política recente do prefeito

O prefeito de Massaranduba, João Costa (UB), parece ter desenvolvido uma espécie de memória seletiva quando o assunto é política. Ao anunciar recentemente o rompimento com o Governo do Estado, o gestor afirmou que promessas não teriam sido cumpridas e fez questão de destacar as ações realizadas no município pelo senador Veneziano Vital do Rêgo, pelo deputado estadual Fábio Ramalho (MDB)e pelo deputado federal Romero Rodrigues (Podemos).

O problema é que, ao mudar de palanque, João Costa parece ter esquecido de mencionar uma série de investimentos que também chegaram a Massaranduba com a participação da senadora Daniela Ribeiro (PP), do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP) e do Governo do Estado.

Entre as ações estão a passagem molhada no Sítio Salgadão, a conclusão de uma creche, a entrega de um caminhão-caçamba Hyundai, recursos para a aquisição de três tratores por meio de emenda de bancada, R$ 100 mil para custeio do PAP, através de emenda da senadora Daniela Ribeiro, além de R$ 1,043 milhão para a construção do Parque João Ribeiro (que se quer foi iniciado). Também estão os investimentos em calçamento nos sítios Cachoeira do Gama, Anigas e Nicolândia, além do calçamento urbano Machado, e a reforma e ampliação da Escola Estadual Everaldo Agra.

E há um detalhe importante que precisa ser colocado na conta: algumas das ações mais recentes não deixaram de acontecer por falta de compromisso ou por uma suposta quebra de palavra. Elas simplesmente não tiveram tempo hábil para serem concluídas antes das restrições impostas pela legislação eleitoral. Ou seja, não se pode transformar uma obra ou ação que ficou pendente por impedimento do calendário eleitoral em prova de que o Governo não cumpriu o que havia sido acordado.

A situação fica ainda mais curiosa quando se observa a trajetória política recente do prefeito. Em fevereiro, João Costa retirou o apoio ao governo do estado aguardando uma posição se Fábio Ramalho que estava sendo cotado para vice-governador do candidato Cícero Lucena (MDB). Como não se concretizou gravou um vídeo retornado o apoio a Lucas Ribeiro e, agora, retorna ao grupo oposicionista. Mudar de posição faz parte da política. O que chama atenção é a rapidez das mudanças e a seletividade na hora de reconhecer as ações realizadas no município.

Se existe uma cobrança por aquilo que não foi concluído, ela é legítima e deve ser feita. Mas também seria justo reconhecer aquilo que efetivamente foi entregue ou encaminhado, independentemente de quem esteja no palanque.

No fim, fica uma pergunta inevitável: se as ações que não foram concluídas esbarraram no calendário eleitoral, e não necessariamente em falta de compromisso, o que realmente motivou o novo rompimento do prefeito?

Na política, às vezes, a mudança de palanque explica mais do que o discurso usado para justificá-la.

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