Opinião: Fazendo uma análise do discurso relacionado ao pronunciamento feito na manhã desta segunda-feira pelo candidato Cícero Lucena, me surpreende que um político com a experiência do ex-prefeito de João Pessoa tenha comprado uma ideia de marketing tão infantil.
Primeiro, criou-se um suspense enorme. Anunciou-se um pronunciamento oficial, gerou-se expectativa e passou-se a impressão de que viria um fato político realmente novo. No final, entregou-se muito menos do que a expectativa criada.
Mas, para mim, o maior amadorismo está justamente na escolha do tema.
Ao colocar o combate às facções no centro de um pronunciamento cercado de expectativa, a estratégia corre o risco de trazer de volta à memória do eleitor um dos episódios mais delicados da trajetória política recente de Cícero: as investigações sobre suposta interferência de facção criminosa nas eleições de João Pessoa, que atingiram diretamente pessoas de seu entorno político e familiar, como a prisão de sua esposa.
Isso não significa atribuir culpa a Cícero, mas estamos falando de comunicação política. E comunicação também trabalha com memória, associação e percepção.
É justamente por isso que surpreende a escolha. Antes de transformar um assunto em arma contra o adversário, qualquer estratégia minimamente cuidadosa deveria analisar o quanto aquele mesmo tema pode atingir o próprio candidato.
Cícero tem décadas de experiência política. Já foi governador, senador, ministro e prefeito. Como um político com esse histórico aceita criar tamanho suspense para um pronunciamento que não apresenta nenhum fato realmente novo, já mastigado pelo candidato e, pior, escolhe como terreno de confronto justamente um assunto capaz de reacender um dos episódios mais desconfortáveis da sua gestão como prefeito.
Antes de mirar no adversário, é preciso olhar para o próprio candidato.





























