A carreata do candidato ao Governo da Paraíba Cícero Lucena, realizada neste sábado (12), em Campina Grande, deixou uma imagem que chama atenção no cenário político local. No registro que reúne algumas das principais lideranças do grupo, aparecem Cícero, Diogo Cunha Lima, Pedro Cunha Lima, Romero Rodrigues e outros aliados. Jhony Bezerra, candidato a deputado federal e uma das recentes adesões ao projeto, ficou fora da foto.
A ausência ganha peso político pela trajetória recente de Jhony. Ex-secretário de Saúde do Estado, ele foi uma das apostas do então governador João Azevêdo em Campina Grande e, em 2024, disputou a Prefeitura com o apoio do grupo governista, que deu sustentação política à sua candidatura e contribuiu diretamente para projetá-lo no cenário eleitoral da cidade.
Em 2026, porém, Jhony rompeu com o grupo de João e aderiu ao projeto de Cícero. O movimento produziu uma das ironias desta eleição: o médico passou a dividir espaço político justamente com os Cunha Lima, grupo que combateu duramente na campanha municipal. Em 2024, chegou a reverberar a expressão “Cunha Lima nunca mais”. Hoje, está filiado ao PSD, comandado na Paraíba por Pedro Cunha Lima.
O contraste ficou ainda mais evidente na carreata deste sábado. Enquanto a fotografia escolhida para simbolizar a passagem de Cícero por Campina colocou lado a lado nomes tradicionais do novo agrupamento, Jhony não aparece no registro.
Na semiótica política, uma fotografia de campanha vai além de um simples registro. Quem ocupa o centro, quem aparece ao lado do candidato, quem divide o mesmo espaço e até quem fica de fora ajudam a construir mensagens de pertencimento, força e hierarquia. Na imagem da carreata, Cícero está cercado por lideranças que representam o núcleo político ao qual Jhony decidiu aderir. A ausência do ex-secretário, nesse contexto, reforça visualmente uma ideia de isolamento ou, no mínimo, de que ele ainda ocupa uma posição periférica dentro do novo grupo.
A imagem se torna ainda mais simbólica porque Jhony deixou justamente o grupo que o projetou politicamente e bancou sua candidatura a prefeito para se aproximar de antigos adversários. Meses depois da mudança, o desafio parece não ser apenas explicar a nova posição ao eleitor, mas conquistar efetivamente um lugar entre aqueles que antes estavam do outro lado.
E talvez seja esse o retrato político mais incômodo da carreata: Jhony deixou para trás o grupo que lhe deu espaço, rompeu com antigos aliados e atravessou para o outro lado. Mas, na hora da fotografia que reúne os protagonistas do novo palanque, não havia espaço para ele. Na política, ficar fora da foto também é uma mensagem.






























