O primeiro debate da campanha para o Governo da Paraíba serviu para tirar algumas dúvidas

Esse foi o primeiro debate de candidatos ao governo da Paraíba

Foto: Reprodução

Cícero Lucena, de longe, é o mais experiente dos três. Quatro vezes prefeito da Capital, com uma longa trajetória política, esse tipo de enfrentamento deveria ser um terreno naturalmente confortável para ele.

Mas sua equipe de marketing cometeu um pecado elementar de estética: não providenciou um simples calço para compensar a altura do candidato.

O púlpito ficou praticamente na altura do peitoral de Cícero. Em televisão, detalhe é mensagem. E ele acabou parecendo “enterrado” atrás da bancada.

Mais grave, porém, foi não ter conseguido transformar sua experiência em vantagem política.

Cícero tinha diante de si o que poderia ser considerado seu principal adversário. E não prevaleceu.

Efraim foi uma grande decepção.

O representante da extrema-direita conseguiu uma proeza que deve ter preocupado até sua equipe de mídia: dificultou o trabalho de edição.
Faltaram momentos fortes, frases de efeito e confrontos capazes de virar corte nas redes sociais.

É difícil lembrar uma passagem do debate em que Efraim tenha imposto alguma vantagem sobre Lucas.

Foi um desempenho muito acanhado para um senador acostumado na tribuna e que havia alardeado aos quatro cantos que iria desmontar o novato nos debates.

Não fez sequer cócegas.
O detalhe mais perceptível foi o “bola no pé” com Cícero, deixando claro que essa campanha será dois contra um.

Lucas, por sua vez, se apresentou bem.

Esteticamente, largou na frente. Por uma questão física simples, o púlpito ficou na altura adequada e permitiu que ele aparecesse inteiro, com postura mais natural diante das câmeras.

Para quem participava de um debate pela primeira vez, seria absolutamente natural algum nervosismo mais evidente.
Que apareceu apenas nos pequenos ajustes no microfone, feitos mais vezes que o necessário.

No conteúdo, porém, mostrou muita segurança.

Lucas demonstrou ter na ponta da língua números, obras e ações do governo que representa. Em nenhum momento pareceu encurralado pelas perguntas e soube escolher os momentos para atacar.

Também ampliou o debate para além dos temas domésticos da Paraíba, trazendo para a discussão as tarifas de Trump e a parceria com o presidente Lula.

Foi uma estreia que contrariou uma expectativa que vinha sendo alimentada nos bastidores: a de que o neto de Enivaldo Ribeiro poderia sucumbir quando tivesse de enfrentar, cara a cara, políticos muito mais experientes.

Quem apostou nisso, viu ontem que perdeu.

Enquanto Cícero parecia escondido atrás do púlpito e Efraim não encontrava espaço para decolar, Lucas ocupou todo o palco e fez cair por terra o último trunfo dos adversários.

Se houve um protagonista no primeiro debate, foi o estreante Lucas Ribeiro. Aproveitou com maestria a oportunidade para desmistificar a explorada inexperiência.


Está visto: ele pedala bicicleta sem rodinhas.

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