A primeira pesquisa Quaest para o Governo da Paraíba traz um dado que vai muito além da disputa entre Lucas Ribeiro, Cícero Lucena e Efraim Filho.
Se mostra uma tendência de queda constante de Cícero, revela também um dado particularmente incômodo para Efraim.
Lula aparece com 50% das intenções de voto para presidente na Paraíba, contra apenas 21% de Flávio Bolsonaro.
É uma diferença de 29 pontos percentuais. E esse abismo nacional tem consequências diretas sobre a eleição para governador.
Cícero não tem palanque para presidente na Paraíba e Efraim escolheu nacionalizar sua campanha.
Ao se colocar como o candidato identificado com Flávio Bolsonaro e com o campo político bolsonarista, o candidato do PL, tenta transformar a eleição estadual em uma espécie de extensão da disputa presidencial.
O problema é que, na Paraíba, essa estratégia encontra um terreno extremamente desfavorável.
Se Flávio tivesse pelo menos uma presença competitiva no Estado, Efraim poderia transformar a eleição nacional em uma alavanca para sua candidatura.
Mas quando Lula tem quase 30 pontos de vantagem, a nacionalização funciona como um limitador eleitoral.
O raciocínio é simples: existe uma parcela enorme do eleitorado paraibano que vota em Lula e que não está disposta a transportar essa preferência para um candidato a governador identificado com o adversário nacional do presidente.
Isso limita, sobretudo, a capacidade do representante da extrema-direita paraibana, crescer para além do eleitor, mais claramente alinhado ao seu campo ideológico.
Lucas pode disputar uma faixa muito mais ampla. Pode conversar com o eleitor de Lula e ao mesmo tempo, buscar votos de centro e até de setores da direita que não enxergam a eleição estadual como uma guerra ideológica.
A pesquisa anterior do Real Time Big Data já mostrava Lucas à frente, com 35%, Cícero com 25% e Efraim com 21%, enquanto Lula também liderava amplamente a corrida presidencial no Estado.
A Quaest agora acrescenta uma dimensão particularmente relevante à análise: o tamanho de Lula na Paraíba se apresenta como uma das principais variáveis da própria eleição para governador, principalmente se Efraim conseguir superar Cícero.
No fim das contas, Cícero despencando e Efraim numa sinuca de bico: não pode largar o bolsonarismo, pois não tem potencial eleitoral próprio e com a vinculação ao extremismo, entrega ao eleitor de Lula a definição do seu teto































