Prevista para começar nesta quinta-feira (4), a paralisação convocada por caminhoneiros nas redes sociais não obteve consenso entre profissionais do setor e tem mobilização considerada baixa por entidades representativas. Apesar de mencionar reivindicações ligadas ao transporte rodoviário, o movimento ganhou contornos políticos e gerou preocupação entre lideranças tradicionais da categoria.
Diferentemente da greve de 2018, quando pautas econômicas e estruturais unificaram os caminhoneiros, a lista de demandas que circula neste ano reúne 18 itens, muitos deles sem relação com a atividade. Entre os pedidos, aparecem mudanças no serviço público, críticas ao STF e até anistia aos condenados pelos ataques de 8 de Janeiro.
Entre os pontos diretamente ligados ao setor, o documento cita a reestruturação do Marco Regulatório do Transporte de Cargas, a manutenção do piso mínimo para caminhões de 9 eixos e a isenção de pesagem entre eixos. Mesmo assim, essas demandas aparecem de forma secundária nas convocações virtuais, dominadas por temas de teor político.
A falta de organização interna também é vista como fator decisivo para o enfraquecimento da mobilização. Segundo Hemerson Galdim, presidente da Sindconpetro-PB e representante da Fenttrocar, o movimento não seguiu nenhum dos protocolos para a convocação de uma greve legítima. “Para realizar uma greve, é preciso passar por assembleia, discutir e definir as pautas de reivindicação. Nada disso aconteceu. O que vimos foi algo repentino, caracterizando questões políticas”, disse.
Com divergências internas e ausência de coordenação nacional, o movimento perde força antes mesmo do início, reforçando o distanciamento entre caminhoneiros autônomos, sindicatos e grupos que tentam transformar a categoria em instrumento de pressão política.































