Manhã de sábado ensolarado na orla da capital.
Eis que surge a cena digna de replay em câmera lenta: no Mercado de Tambaú, Cássio Cunha Lima se aproxima chamando Cícero Lucena de “meu governador”.
Em troca, recebe um beijo no rosto do autor da clássica frase: “Cunha Lima nunca mais”.
Nunca mais… até a próxima campanha.
O “nunca” de Cícero tem prazo de validade.
O ex-aliado de ontem, preterido em 2010, que teve a legenda do partido negada para concorrer ao governo, trocado por Ricardo Coutinho, amanhece hoje com a síndrome da amnésia estratégica.
E a memória do eleitor é tratada como algo que o tempo resolve.
“Cunha Lima nunca mais”, frase que Lucena repetiu em todos os recantos da Paraíba desde que lhe foi puxado o tapete, agora repousa no museu das declarações inconvenientes, ao lado do “fui usado e traído” e do “com eles eu não sento nem para tomar café num quiosque em Tambaú”. Sentou.
A dinâmica é simples: para alguns políticos, tudo se resume à conveniência.
Se modifica o procedimento, chama de maturidade.
Se contraria o discurso, chama de evolução.
No fim das contas, quando a coerência compete com o oportunismo, quase sempre perde por W.O.
E o beijo?
Ah, o beijo é só a vírgula antes da próxima frase.




























