A política paraibana tem dessas ironias que fariam corar até os roteiristas mais criativos.
O agora recém-convertido Dr. Jhonny Bezerra, que rompeu com o governo de João Azevêdo para declarar apoio a Cícero Lucena, parece ter descoberto uma nova vocação: a arte do reposicionamento estratégico, também conhecida popularmente como “vira-casaca”.
Convém lembrar: ele não era apenas um neófito na política. Era um profissional da saúde, desconhecido da maioria da população de Campina Grande. Foi alçado ao debate público pelo prestígio e pela estrutura do governo estadual, que lhe abriu portas, concedeu espaços relevantes e ofereceu apoio irrestrito.
Sem esse empurrão institucional, seu nome dificilmente teria ultrapassado os muros das repartições.
Sua ascensão esteve diretamente ligada à oposição do Governo Estadual à gestão do prefeito Bruno Cunha Lima, uma administração que atravessa um desgaste notório, frequentemente apontado como um dos mais intensos da história recente da cidade. Foi surfando nessa onda de insatisfação que seu discurso encontrou eco.
Agora, ao aderir justamente ao campo político que antes combatia, o doutor talvez esteja prestes a descobrir algo pedagógico: o tamanho real do próprio capital eleitoral. Porque uma coisa é ser o candidato que vocaliza o descontentamento; com estrutura robusta, outra bem diferente é sobreviver sem a energia da oposição como combustível.
Talvez lhe falte também, e parece óbvio, uma consulta básica aos arquivos da história política campinense. Não são poucos os casos de candidatos que obtiveram votações expressivas para prefeito e, na eleição seguinte, fracassaram de forma retumbante, concorrendo para cargos tidos mais fáceis.
A política local tem memória curta para aplausos, mas longa para incoerências.
No fim das contas, a pergunta que fica é simples: era liderança consolidada ou apenas circunstância?
A próxima eleição tratará de responder, sem anestesia e sem palanque emprestado.






























