Opinião: Aliança em Campina expõe desgaste, contradições e esvaziamento dos Cunha Lima

A expectativa de Pedro Cunha Lima e de Cícero Lucena é receber o apoio de Bruno em um eventual segundo turno

Campina Grande foi palco, nesta sexta-feira (30), de um evento político que oficializou a aproximação entre o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, e integrantes da família Cunha Lima.

Longe de representar um momento de força ou unidade, o encontro expôs contradições públicas, ausências estratégicas e sinais claros de desgaste político do grupo que historicamente comandou a cena eleitoral da cidade.

A escolha de Campina Grande para o anúncio causou estranhamento. Recentemente, Pedro Cunha Lima confessou não manter relações nem vínculos efetivos com o município, argumentando que deixou a cidade ainda na adolescência.

O retorno simbólico ao território, agora como cenário de um acordo político, foi interpretado como um movimento oportunista, reforçando críticas recorrentes de que o grupo Cunha Lima utiliza a cidade exclusivamente como ativo eleitoral.

Cícero Lucena também foi confrontado por suas próprias declarações. Em momentos anteriores, o gestor afirmou ter sido traído politicamente por integrantes da família Cunha Lima e chegou a cravar, de forma categórica, uma frase que certamente será lembrada como slogan: “Cunha Lima nunca mais”. A guinada só encontra explicação na conveniência eleitoral.

A ausência do prefeito Bruno Cunha Lima já era esperada. Um dia antes do evento, ele próprio afirmou que provavelmente não estaria presente, mostrando um certo desequilibrio no grupo.

O gestor vive um período de forte desgaste administrativo, marcado por despejos de secretarias por inadimplência, bloqueio de veículos locados ao município, atraso no pagamento de salários de servidores, retenção de verbas carimbadas destinadas a hospitais, crime ambiental, fechamento de unidades de saúde e obras paralisadas.

Mesmo sendo hoje a figura central do grupo político local, a ausência de Bruno apenas confirma seu apoio à pré-candidatura do senador Efraim Morais.

A expectativa de Pedro Cunha Lima e de Cícero Lucena é receber o apoio de Bruno em um eventual segundo turno. No entanto, aliados avaliam que o elevado desgaste do atual prefeito pode se tornar um passivo, caso a aliança avance.

Também presente, o deputado Romero Rodrigues afirmou ter comparecido ao ato em caráter pessoal, desvinculando sua participação de decisões partidárias. A postura reforça, mais uma vez, a imagem de hesitação que marca sua trajetória recente, frequentemente associada à dificuldade de assumir posições claras.

Já o senador Veneziano Vital do Rêgo surge como símbolo da incoerência. O parlamentar voltou a discursar sobre coerência política, mesmo sendo, para muitos, estranho vê-lo no mesmo palanque que os Cunha Lima e, ao mesmo tempo, ao lado de figuras bolsonaristas. Faz questão de vestir vermelho nesses eventos, como se a cor fosse suficiente para compensar a distância ideológica de seus aliados.

O aspecto mais comentado, porém, foi a baixa presença de público. O evento registrou uma das menores adesões em atos organizados pelo grupo na Rainha da Borborema, sinalizando perda de influência e enfraquecimento da capacidade de mobilização. Pedro Cunha Lima, além do sobrenome, não possui base política consolidada na cidade.

O ato revelou não apenas os limites da aliança anunciada, mas também o atual tamanho do grupo Cunha Lima em Campina Grande, hoje proporcional à situação do finado PSDB campinense.

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