Em tempos de redes sociais barulhentas e de autopromoção permanente, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro segue um caminho pouco comum na política brasileira: a discrição.
Raramente o parlamentar fala de si mesmo ou faz inventário público das ações que realizou em favor da Paraíba ao longo de sua trajetória política.
Esse estilo, que revela modéstia e sobriedade, também tem um efeito colateral. Muitas vezes impede que parte da população, especialmente os eleitores mais jovens, tenha plena dimensão de sua atuação parlamentar e administrativa ao longo dos anos.
Em recente entrevista à Rádio Pop FM, de João Pessoa, Aguinaldo deixou momentaneamente de lado o estilo reservado para relembrar alguns fatos de sua passagem pelo Ministério das Cidades, durante o governo da então presidente Dilma Rousseff.
Ele citou, por exemplo, que uma das maiores obras urbanísticas realizadas em Campina Grande nas últimas décadas, o conjunto Aluísio Campos, só saiu do papel porque, à época em que ocupava o ministério, foi ele quem selecionou e destinou os recursos federais que viabilizaram a construção de 4.100 moradias.
O empreendimento beneficiou mais de 30 mil pessoas e mudou definitivamente o mapa urbano da cidade. Durante a entrevista, o deputado foi enfático ao lembrar o papel que desempenhou no processo.
“Se eu não fosse o ministro, a obra não existiria”, afirmou.
Outro exemplo citado foi a Alça Leste, importante corredor viário que conecta a BR-230 ao Arco Metropolitano de Campina Grande. A nova via melhorou a mobilidade urbana e criou as condições estruturais para a implantação de um antigo projeto da cidade: o Centro de Convenções, obra posteriormente executada pelo governo do estado sob a gestão do governador João Azevêdo.
Na entrevista, o deputado também recordou outras intervenções viabilizadas com recursos federais durante sua passagem pelo Ministério das Cidades, como a obra do Parque Bodocongó e o viaduto do Geisel, em João Pessoa, projetos considerados estruturantes para o desenvolvimento urbano.
Discrição é uma virtude. Mas, na política, também pode ser uma faca de dois gumes. Sem comunicação, muitas realizações acabam não chegando ao conhecimento da população.
E a verdade é que Aguinaldo Ribeiro aparece, direta ou indiretamente, em boa parte das grandes obras estruturantes da Paraíba nas últimas décadas, seja na articulação de recursos, seja na viabilização institucional dos projetos.
Seu perfil foge do modelo tradicional do político midiático. Aguinaldo construiu a carreira com uma atuação mais técnica, voltada para a engenharia administrativa dos projetos, a articulação federativa e a entrega concreta de obras e políticas públicas.
Esse perfil técnico também se evidenciou recentemente quando o parlamentar atuou como relator da reforma tributária no Congresso Nacional. Entre os pontos defendidos por ele está a proposta de zerar os impostos sobre os produtos que compõem a cesta básica, medida que beneficia milhões de famílias brasileiras.
No fim das contas, a marca política de Aguinaldo Ribeiro parece seguir uma lógica diferente da política de palco. Trata-se de uma atuação menos performática e mais pragmática, voltada para projetos estruturais capazes de transformar cidades e impactar diretamente a vida de milhares de pessoas.
Entre aliados e adversários na política paraibana, existe uma avaliação recorrente: quando Aguinaldo Ribeiro entra em um projeto, normalmente entra para fazê-lo sair do papel. Uma reputação construída menos pelo discurso e mais pela capacidade de entrega.






























