Na fauna política brasileira existe uma espécie já catalogada, o “tio do zap”.
Ele habita grupos de família, vive de áudios de três minutos e tem a habilidade curiosa de contar piadas das quais só ele ri.
O “tio do zap” político é a evolução dessa figura. Saiu do grupo da família e foi parar no palanque. Mantém o mesmo repertório, metáforas constrangedoras, risadinhas fora de hora e a convicção absoluta de que acabou de “lacrar”.
Quando o ex-ministro da Saúde do governo Jair Bolsonaro, o paraibano Marcelo Queiroga, recorre a analogias típicas de mesa de bar, fica evidente que o “tio do zap” ganhou diploma e microfone.
Há diferença entre ser popular e ser vulgar. Entre ser espontâneo e ser raso. Entre fazer humor e tentar imitar o “mito” a qualquer custo, como se política fosse uma disputa para ver quem profere a frase mais chula e constrangedora do dia.
A fórmula se repete, um adversário caricaturado, uma piscadela para os aliados e a sequência de declarações sem noção e sem senso de ridículo.
Vale tudo para parecer alinhado ao estilo? Transformar entrevista política em piada de churrasco?
De um ex-ministro da Saúde e médico conceituado na Paraíba, espera-se mais do que performance de WhatsApp Premium.
No fim das contas, o “tio do zap” continua contando a piada. O problema é que, fora da própria bolha, quase ninguém acha graça.




























