Pedro Cunha Lima é, sem dúvida, um homem incoerente. Tão incoerente que conseguiu declarar, com a mais tranquila sinceridade, que não tem relação com Campina Grande desde a adolescência e, logo em seguida, escolher exatamente a cidade para anunciar seu apoio político.
É a nova modalidade de vínculo afetivo: você não tem ligação nenhuma, mas usa o endereço para coletiva.
Fez o anúncio, posou de anfitrião, tratou a cidade como sua e, encerrado o evento, seguiu viagem de volta para onde realmente mora. A cidade foi palanque. Na verdade, ele também era visita. Sua residência tem outro CEP.
Um desapego geográfico moderno. Um mero ponto no GPS eleitoral. Nada pessoal, só oportuno e estratégico. Mas a sinceridade é uma virtude perigosa. Quando escapa sem o filtro do marketing, vira sincericídio.
E então ele resolve confessar que seu maior desejo é ser prefeito da capital. Veja só. Nem governador, nem deputado, nem vice de Cícero. Prefeito de João Pessoa. Sonho declarado, meta traçada, projeto íntimo.
Fica a dúvida: Campina foi palanque ou foi escala?
Perdeu o eleitor bairrista de Campina e agora aposta no da capital. Só esquece um pequeno detalhe da sociologia paraibana: João Pessoa pode até receber visitantes, mas não costuma entregar seus destinos com tanta facilidade, ainda mais a quem já declarou, com naturalidade, que não tem raízes firmes onde pisa.
No fim das contas, Pedro parece viver um dilema territorial curioso: não pertence a Campina, deseja João Pessoa e circula pelo Estado fazendo test drive eleitoral. A sinceridade, às vezes, é cruel.
Principalmente quando revela que o projeto não é sobre cidade, é sobre cargo. E o eleitor, felizmente, costuma perceber quando o mapa é apenas cenário.




























