Entre estratégias imaturas e precipitação, Jonny arrisca o capital político que construiu

Política se faz com memória. Se agora surgem sinais, ainda que subliminares, de possível migração para outro campo, é preciso cautela

Foto: Reprodução

Dr. Jhony Bezerra construiu algo raro na política de Campina Grande, competitividade real na oposição. Não venceu, é verdade. Mas saiu maior do que entrou. Teve voto consolidado, enfrentou estruturas tradicionais e mostrou densidade eleitoral.

E isso não aconteceu por acaso. É preciso lembrar que, naquela eleição, o governador João Azevêdo apostou todas as fichas em seu nome. Não foi um apoio protocolar. Foi escolha política. Foi decisão estratégica. Foi investimento de capital político.

Inclusive contrariando lideranças locais mais consolidadas, como é o caso do deputado Inácio Falcão e do secretário André Ribeiro, que pleiteavam espaço e que, com o apoio do Governo, poderiam ter apresentado melhor resultado.
Não houve abertura para substituição. Não houve plano B. Houve confiança.

Política se faz com memória. Se agora surgem sinais, ainda que subliminares, de possível migração para outro campo, é preciso cautela.

O eleitor que votou em Jhony votou também em um projeto. Votou na oposição local sustentada por uma aliança estadual clara.
Votou em coerência. Quando o discurso muda, o fluxo de votos também pode mudar.

Na política, a movimentação antes da hora pode parecer estratégia, mas muitas vezes é precipitação. E precipitação pode custar exatamente aquilo que se levou anos para construir, credibilidade.

O voto pessoal, intransferível e definitivo é utopia na política de Campina Grande. Basta observar a grande votação da também médica e ex-secretária de Saúde Tatiana Medeiros na eleição municipal de 2012. Dr. Jhony precisa avaliar não apenas o seu principal reduto, mas as consequências do movimento. Porque a política não pune apenas traições explícitas, ela também corrige incoerências silenciosas.

O eleitor campinense observa. E lembra. Às vezes, abrir os olhos é perceber que o caminho mais inteligente não é o mais imediato, mas o mais coerente com a história que se construiu.

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