No mesmo dia em que oficializou sua saída da presidência estadual do PSDB e a filiação ao PSD, o deputado estadual Fábio Ramalho reforçou o discurso de unidade da oposição, defendeu os nomes de Pedro Cunha Lima e Romero Rodrigues, e admitiu a possibilidade de compor como vice na chapa do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), caso seja convidado.
Em entrevista concedida na noite desta segunda-feira (2) ao programa Hora H, da TV Norte Paraíba, Ramalho utilizou uma metáfora esportiva para sinalizar disposição política e flexibilidade estratégica. “Sou jogador de um time que joga onde me colocar. Se o time nos chamar, nós estaremos preparados para entrar em campo”, afirmou, indicando alinhamento com o projeto majoritário que venha a se consolidar no campo oposicionista.
Apesar de sua saída, o parlamentar avaliou que o PSDB deverá permanecer no bloco de oposição ao governo estadual, evitando, no entanto, antecipar quem conduzirá o partido após a debandada de quadros ligados ao grupo Cunha Lima desde as eleições municipais de 2024. A cautela revela a tentativa de preservar pontes políticas em um cenário ainda em reorganização.
Ao comentar a divisão interna do Cunha Lima, hoje fragmentado entre os apoios a Cícero Lucena e ao senador Efraim Filho (União Brasil), Ramalho minimizou as divergências e defendeu a tese de que há um projeto comum de oposição. Segundo ele, o objetivo central é encerrar um ciclo político de 16 anos no estado, ainda que a unidade não se consolide já no primeiro turno das eleições.
Na avaliação de Ramalho, mesmo que os grupos sigam separados inicialmente, a convergência no segundo turno seria natural, com o prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, integrando esse movimento. O deputado, contudo, demonstrou otimismo quanto à possibilidade de composição ainda na primeira etapa do pleito.
Ex-prefeito de Lagoa Seca por dois mandatos, Fábio Ramalho também projetou uma “onda de adesões” ao projeto liderado por Cícero Lucena a partir do fim de março, período marcado pelas desincompatibilizações e pela transição no comando do Governo do Estado, com a saída do governador João Azevêdo (PSB) e a ascensão do vice-governador Lucas Ribeiro (PP).
Segundo o parlamentar, lideranças que hoje integram a base governista estariam em fase de observação e poderiam migrar para o campo oposicionista após o prazo legal. “Muitas ondas e águas vão passar debaixo da ponte”, afirmou, sinalizando a expectativa de adesões de prefeitos, deputados estaduais e outras lideranças políticas nos próximos meses.



























